Proibir não é a solução

Por um lado, as tecnologias digitais são utilizadas de forma eficaz na maior parte de nossas vidas, por outro lado, os esforços para enfeitar o processo são intensificados. Embora não tenhamos dados suficientes sobre que tipo de regulamentação legal será feita, é instigante que os comentários e avaliações na agenda pública chamem principalmente a atenção para regulamentações proibitivas.

Recentemente, participei de uma conferência sobre crianças e novas mídias, e enfatizei enfaticamente que a proibição não é a solução. Mesmo que algumas pessoas não gostem da ênfase que dei nesse sentido, insisto. A história da humanidade está repleta de exemplos de que proibição e opressão não são a solução.

A proibição provoca sentimentos de privação e carência. A deficiência, por outro lado, leva à resistência, criando uma situação caótica. Confrontar os reguladores com os usuários não beneficia ninguém em termos da sociedade e do sistema. Planejar e administrar juntos, em vez de se enfrentarem, seria muito melhor para a paz dos cidadãos e a saúde da sociedade. Por isso, os arranjos legais devem ser feitos não no eixo da proibição, mas no eixo do planejamento e gestão conjunta.

Por outro lado, a humanidade está passando pelo processo de digitalização. Com a epidemia de Covid19, esse processo se acelerou assumindo um caráter revolucionário. Como nenhum fator pode reverter esse processo, é necessário acelerar os esforços de adaptação ao processo. Assim como a primeira revolução tecnológica formou a base para a mudança radical dos sistemas sociais, a digitalização, que pode ser descrita como a segunda revolução tecnológica, também terá um efeito radical, que já começou com a epidemia. A inclusão de um desenvolvimento tecnológico nas relações de produção da sociedade é um sinal de que o modo de produção naquela sociedade entrou na fase de mudança. Sob esse ponto de vista, destaca-se que as tecnologias digitais entraram de alguma forma no processo produtivo em quase todos os setores. Nesse caso, a direção da mudança mudou para o eixo da digitalização e o futuro da humanidade será moldado nesse eixo.

Embora seja esse o caso, concentrar-se nas desvantagens da digitalização e tomar medidas proibitivas para proteger crianças e jovens desses inconvenientes pode agradar a algumas pessoas a curto prazo, mas, a longo prazo, cria sérios problemas para as crianças e jovens de hoje ser indivíduos competentes de amanhã e estabelecer um futuro de sucesso para si mesmos. Uma vez que a humanidade está na era digital e o futuro é moldado em torno dessas tecnologias, é preciso proporcionar as condições necessárias para que crianças e jovens utilizem essas tecnologias com competência.

A digitalização também está se configurando como um processo cultural. Assim, para que esse processo cultural se estruture e se desenvolva de forma positiva, os indivíduos da sociedade, principalmente as crianças e os adolescentes, devem ser tão ativos quanto possível nesse processo. Nesse momento, o dever das famílias, escolas, poder público e organizações não governamentais é direcionar esse processo de forma planejada, programada e construtiva em cooperação.

É importante que as famílias apoiem conscientemente as orientações de uso da tecnologia de crianças e adolescentes, e que a família gerencie esse processo junto com sua criança ou adolescente. As escolas precisam atualizar seus currículos para desenvolver as habilidades das crianças no uso das tecnologias digitais, acompanhando a família. As autoridades públicas e os decisores políticos devem apoiar a família e a escola neste processo.

Por outro lado, é de grande importância que as unidades decisórias da política e do poder público incluam organizações não governamentais, organizações profissionais relevantes e aqueles que dirigem a produção e o uso de tecnologias digitais em seu trabalho de regulamentação legal, pois o resultado será positivo para todos os segmentos relevantes da sociedade. Não se deve esquecer que cada novo elemento incluído no sistema vem com seus prós e contras, oportunidades e ameaças. Está em nossas mãos minimizar as ameaças e aumentar as oportunidades. Desde que administremos o processo com políticas bem intencionadas, com a cooperação de todas as partes, com as decisões e práticas corretas.

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